Pré-diabetes: O Que Fazer para Reverter (Glicemia 110)

por Ricardo Almeida

Glicosímetro marcando 103 ao lado de lancetador e tiras sobre mesa de madeira, glicemia na faixa de pré-diabetes

Glicemia de jejum de 110 não é normal, mas também não é diabetes. Pela diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL é pré-diabetes, e a partir de 126, confirmada em outro exame, é diabetes. A boa notícia é que o pré-diabetes pode ser revertido. No estudo Diabetes Prevention Program, de 2002, um programa com meta de perder 7% do peso e fazer 150 minutos de atividade física por semana cortou em 58% o risco de virar diabetes, mais do que o remédio testado ao lado.

No meu check-up dos 48, o que me assustou foi a pressão em 16 por 10. A glicemia veio “no limite” e eu quase nem olhei. Hoje acho que era o número mais fácil de consertar daquela folha, e o que mais gente ignora, porque não dói e não tem nome de doença.

Índice

Pré-diabetes é até quanto?

Pré-diabetes é a glicemia de jejum de 100 a 125 mg/dL, ou a hemoglobina glicada de 5,7% a 6,4%. Abaixo disso é normal. A partir de 126 de glicemia ou 6,5% de glicada, já é faixa de diabetes.

Esses são os critérios da diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes:

ExameNormalPré-diabetesDiabetes
Glicemia de jejumabaixo de 100 mg/dL100 a 125 mg/dL126 mg/dL ou mais
Hemoglobina glicadaabaixo de 5,7%5,7% a 6,4%6,5% ou mais

O jejum, pela mesma diretriz, é de 8 a 12 horas sem comer. E um exame só não fecha diagnóstico de diabetes: a própria diretriz mostra que a glicemia varia de um exame pro outro, e por isso o médico costuma repetir ou pedir a hemoglobina glicada, que mostra a média dos últimos meses.

Glicemia 110 é normal?

Não. Glicemia de jejum de 110 está dentro da faixa de pré-diabetes. O mesmo vale pra glicemia de 100 e de 105: as três ficam entre 100 e 125.

Não é motivo pra pânico. É motivo pra agir. O Ministério da Saúde descreve o pré-diabetes como um sinal de alerta do corpo, que costuma aparecer em quem tem excesso de peso, pressão alta ou alteração de colesterol e triglicérides. Eu tinha os três, e a parte da pressão eu conto em pressão 14 por 9.

Antes de concluir qualquer coisa, confira se o exame foi feito em jejum de verdade e leve o resultado ao médico. Ele decide se repete, se pede a glicada ou se já vale tratar como pré-diabetes.

Pré-diabetes tem sintomas?

Pré-diabetes quase nunca dá sintoma, e esse é o problema. Sede demais, fome demais, vontade de urinar toda hora, visão embaçada e ferida que demora a fechar são sintomas que o Ministério da Saúde lista pro diabetes já instalado, não pro pré-diabetes.

É por isso que tanta gente descobre só no exame de rotina. Se você tem mais de 40, barriga, pressão alta ou pai e mãe diabéticos, não espere sintoma. A glicemia faz parte do check-up masculino e custa pouco.

Muita gente pergunta se pré-diabetes causa cansaço. O cansaço e a fraqueza aparecem na lista do Ministério pro diabetes tipo 1, não pro pré-diabetes. Só que as coisas que levam ao pré-diabetes, como barriga, sono ruim e vida parada, cansam por conta própria.

Pré-diabetes tem cura?

Pré-diabetes dá pra reverter, e é a única fase em que isso acontece. O Ministério da Saúde diz com todas as letras que o pré-diabetes é a única etapa do diabetes que ainda pode ser revertida, prevenindo a evolução da doença e complicações como o infarto.

O mesmo texto traz o outro lado: metade dos pacientes que recebem o diagnóstico de pré-diabetes acaba desenvolvendo a doença, mesmo com orientação médica. Não é sentença, mas mostra que ouvir a orientação não basta: tem que pôr em prática.

Eu prefiro a palavra reverter à palavra cura. A glicemia pode voltar ao normal, mas a tendência continua lá. Se os hábitos voltarem, ela volta junto.

Pré-diabetes: o que fazer para reverter

Pra reverter o pré-diabetes, o que mais funciona é perder um pouco de peso e se mexer toda semana. Não precisa virar atleta nem cortar tudo.

O estudo que virou referência é o Diabetes Prevention Program, publicado no New England Journal of Medicine em 2002. Foram 3.234 pessoas com glicemia alterada, idade média de 51 anos, divididas em três grupos: um mudou o estilo de vida, outro tomou metformina, outro tomou placebo. A meta do primeiro grupo era perder pelo menos 7% do peso e fazer pelo menos 150 minutos de atividade física por semana.

Depois de quase três anos, a mudança de hábito reduziu em 58% o surgimento de diabetes. A metformina reduziu em 31%. Os autores concluíram que mudar o hábito foi significativamente mais eficaz que o remédio.

Traduzindo os números: pra um homem de 100 kg, 7% são 7 quilos. E 150 minutos por semana são 30 minutos de caminhada, cinco dias. Foi mais ou menos por aí que eu comecei, e a caminhada puxou o resto, inclusive a musculação, que eu explico em treino de força depois dos 40. Hoje estou 14 quilos mais leve do que aos 48.

Se a barriga é o seu ponto fraco, o artigo sobre barriga e testosterona explica por que ela atrapalha bem mais do que a calça.

Pré-diabetes tem que tomar remédio?

Nem sempre. Pra muita gente o tratamento começa só com mudança de hábito, e no Diabetes Prevention Program ela funcionou melhor que a metformina. Em alguns casos o médico indica remédio junto, dependendo da idade, do peso, dos outros exames e do histórico.

Quem decide é ele. Não tome metformina de parente nem “remédio natural pra baixar açúcar” por conta própria. Se a glicemia baixar por causa de um chá na véspera do exame, você só escondeu o sinal.

Pré-diabetes: o que evitar e o que comer

Não existe lista mágica de alimento proibido, e eu não sou nutricionista. No estudo que eu citei, a meta era perder peso e se mexer, não cortar um alimento específico.

Na prática, o que mais pesa pra um homem com a nossa rotina costuma ser bebida com açúcar (refrigerante, suco de caixinha, café muito adoçado), cerveja de todo dia e o trio pão, salgado e doce no meio da tarde. Eu vivia de comida de posto. Ajustar a comida e cortar a cerveja de fim de tarde foi o que fez a minha balança descer.

Mel, batata-doce e fruta são perguntas comuns. Nenhum deles é veneno e nenhum é remédio: todos têm açúcar ou amido, e a quantidade é o que conta. Se quiser um plano de verdade, com cardápio, peça encaminhamento pra nutricionista. No SUS, a porta de entrada é a unidade básica de saúde.

Quando procurar o médico

Marque consulta com clínico geral ou endocrinologista se a sua glicemia de jejum deu 100 ou mais, ou a hemoglobina glicada deu 5,7% ou mais. Marque também se você nunca mediu e tem 35 anos ou mais, excesso de peso, pressão alta ou pai, mãe ou irmão com diabetes.

Procure atendimento logo se tiver sede e fome exageradas, vontade de urinar o tempo todo, perda de peso sem explicação, visão embaçada ou ferida que não cicatriza. Vá ao pronto-socorro se esses sintomas vierem com vômito, respiração difícil, sonolência ou confusão.

Perguntas frequentes

Pré-diabetes é até quanto?
Pela diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, pré-diabetes é a glicemia de jejum de 100 a 125 mg/dL ou a hemoglobina glicada de 5,7% a 6,4%. A partir de 126 mg/dL de glicemia ou 6,5% de glicada, já é faixa de diabetes, que o médico confirma com novo exame.

Glicemia 110 é normal?
Não. Glicemia de jejum de 110 mg/dL está na faixa de pré-diabetes, que vai de 100 a 125. O normal é abaixo de 100. Vale confirmar com o médico, que pode repetir o exame ou pedir a hemoglobina glicada.

Glicemia 110 o que fazer?
Levar o exame ao médico e começar a mexer em duas coisas: peso e movimento. No Diabetes Prevention Program, de 2002, um programa com meta de perder 7% do peso e fazer 150 minutos de atividade física por semana reduziu em 58% o risco de o pré-diabetes virar diabetes.

Glicemia 110 tem que tomar remédio?
Nem sempre. Muitas vezes o tratamento começa só com mudança de hábito. O médico pode indicar remédio em alguns casos, conforme idade, peso e outros exames. Não tome remédio por conta própria.

Glicemia 105 é normal?
Não. Glicemia de jejum de 105 mg/dL também fica na faixa de pré-diabetes, de 100 a 125. O caminho é confirmar com o médico e cuidar de peso e atividade física.

Pré-diabetes tem cura?
Pode ser revertido. Segundo o Ministério da Saúde, é a única etapa do diabetes que ainda pode ser revertida. A glicemia pode voltar ao normal com mudança de hábito, mas a tendência continua, e o acompanhamento com exame precisa seguir.

Pré-diabetes tem sintomas?
Geralmente não. Sede excessiva, muita vontade de urinar, visão embaçada e feridas que demoram a cicatrizar são sintomas de diabetes já instalado. O pré-diabetes costuma aparecer só no exame de sangue.

Pré-diabetes tem que tomar remédio?
Depende do caso. No Diabetes Prevention Program, a mudança de estilo de vida reduziu o risco de diabetes em 58%, contra 31% da metformina. O médico avalia se o remédio entra junto.

Pré-diabetes o que evitar?
Não há alimento proibido por regra. O que mais atrapalha é o excesso de calorias e de açúcar no dia a dia, como refrigerante, suco adoçado, doces e álcool frequente, junto com a vida parada. Um nutricionista monta o plano certo pro seu caso.

Pré-diabetes pode virar diabetes?
Pode. O Ministério da Saúde informa que metade dos pacientes com diagnóstico de pré-diabetes desenvolve a doença. Mudar o hábito cedo é o que reduz esse risco.

A minha estava no limite aos 48. O que eu fiz foi o que os estudos mandam: balança descendo e perna andando. Não foi rápido e não foi bonito. Se o seu exame veio com 100, 105 ou 110, você recebeu o aviso na fase em que ainda dá pra voltar atrás. Marca a consulta e leva o papel.

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Só o médico pode diagnosticar pré-diabetes ou diabetes e indicar o tratamento adequado pro seu caso.

Foto de Ricardo Almeida

Escrito por Ricardo Almeida

Ex-representante comercial, 52 anos, levou o susto aos 48 e desde então escreve sobre o que aprendeu na marra, sem jaleco, com experiência real. Conheça a história completa →